Lançamento da antologia "Contos Moratenses"
- Fernanda Lustosa

- 6 de out.
- 2 min de leitura
No dia 19 de julho de 2025, Francisco Morato respirou literatura. No Café Bolos Delish, uma cidade se reconheceu em papel. O lançamento de Contos Moratenses não foi apenas um encontro para apresentar um livro: foi o instante em que vozes locais se entrelaçaram em um gesto coletivo de afirmação e memória. Cada olhar, cada conversa, cada página autografada parecia dizer que a cidade não é feita apenas de concreto e pressa, mas também de narrativas que resistem ao esquecimento.
O texto de apresentação foi lido por Amara e, com ele, abriu-se janelas para universos que, ao mesmo tempo, eram íntimos e compartilhados. Havia no ar uma vibração de reconhecimento: quem ouvia encontrava nas palavras a lembrança de uma rua conhecida, o movimento da praça, o silêncio de um lugar que guarda histórias. A fotografia de Tamiris Severio, fonte de inspiração para algumas das narrativas, também foi lembrada como aquilo que atravessa a superfície da imagem para convocar a imaginação — um gesto de olhar que se transforma em linguagem.
Mais do que o rito de autógrafos, a celebração foi a construção de pertencimento. Moradores conversaram com os autores, riram de passagens familiares, emocionaram-se com lembranças evocadas. A cidade se viu narrada e, nesse espelho de palavras, reconheceu sua potência criadora. Era como se cada conto costurasse um fragmento do tecido coletivo, reafirmando que literatura não é apenas expressão estética, mas também ato político de visibilidade.
No fim da tarde, o que ficou não foi apenas um livro em mãos, mas a certeza de que Contos Moratenses é um marco: a prova de que a cidade cabe na literatura e que a literatura, quando nasce do chão cotidiano, devolve dignidade, memória e sonho. Francisco Morato ganhou mais do que uma obra — ganhou um gesto de permanência, a lembrança de que toda vida vivida pode ser escrita, toda experiência pode ser palavra, e que a cidade pulsa, afinal, também como poesia.



